Curiosidade íntima: por onde começar quando você quer mais

Curiosidade íntima: por onde começar quando você quer mais

Tudo começou com uma curiosidade que ela quase ignorou

Ela não saberia dizer quando aquilo começou. Foi aos poucos, provavelmente — nos momentos silenciosos, quando finalmente estava sozinha, ou naquelas pausas do dia em que o corpo pedia алgo que ela nunca soube nomear. Não era falta de vontade. Era falta de entendimento. E, mais do que tudo, um medo miúdo e persistente de errar.

Ela já tinha pensado em tentar antes. Mas o pensamento vinha sempre no mesmo formato: e se eu escolher errado? E se não for pra mim? E se isso for exagero? Então ela fazia o que sempre fez com aquela curiosidade — deixava passar. Guardava para depois. Ignorava.

Até que, numa noite comum, algo mudou. E o mais curioso é que não foi coragem. Não foi um impulso, nem uma decisão tomada com o peito estufado. Foi cansaço. Cansaço de não saber. De parar sempre no mesmo lugar. De sentir que havia algo ali, ao alcance, e nunca atravessar a linha.

Pegou o celular sem grande expectativa. Não procurava o "melhor", nem o mais recomendado, nem o que os outros diziam ser certo. Só queria entender. No próprio ritmo, sem ninguém olhando, sem a voz que julga antes mesmo de ela tentar.

E foi ali que algo se encaixou. Não parecia complicado, como ela temia. Não parecia distante, nem grande demais para ela. Pelo contrário: parecia simples. Discreto. Possível. Como se aquela porta estivesse destrancada esse tempo todo, esperando só que ela reparasse.

Ela não contou a ninguém — e não porque fosse segredo. É que não precisava. Aquilo não era sobre os outros, nem sobre agradar, nem sobre ter uma história para dividir. Era sobre ela. Sobre finalmente se permitir dar um passo que passou anos evitando.

Dias depois, por fora, nada tinha mudado. A rotina era a mesma, os compromissos também, o espelho devolvia o mesmo rosto. Mas por dentro havia outra coisa. Mais presença. Mais conexão consigo. Uma curiosidade que, pela primeira vez, não vinha acompanhada de culpa.

E foi aí que ela entendeu. Nunca tinha sido sobre acertar de primeira. Era sobre parar de ignorar o que sempre esteve ali — e que só precisava de um pouco de espaço para existir.

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