A saúde íntima da mulher brasileira em números
Compartilhe essa descoberta
A saúde íntima da mulher brasileira em números: o que as pesquisas revelam e que ninguém está dizendo em voz alta
Você já se sentiu sozinha num desconforto que ninguém ao seu redor parecia nomear?
Ressecamento que dói. Desejo que sumiu. Orgasmo que nunca chega. Dor que você aprendeu a normalizar.
O que você sente tem nome. Tem causa. E tem muito mais companhia do que você imagina.
Esta página reúne os dados mais recentes e relevantes sobre a saúde íntima e sexual da mulher brasileira — de pesquisas do Datafolha encomendadas pela Febrasgo, da CNN Brasil, da Revista Problemas Brasileiros e de estudos científicos brasileiros. Não para assustar. Para que nenhuma mulher continue achando que o que sente é defeito pessoal quando é, na verdade, realidade coletiva invisibilizada.
O que os números dizem sobre o corpo feminino
A dor que ninguém conta
23% das brasileiras sentem dor durante a relação sexual. Segundo a Febrasgo, a dor genitopélvica à penetração é uma das manifestações da disfunção sexual feminina e pode ocorrer em qualquer idade — mas ainda é cercada de silêncio, estigma e desinformação.
Isso significa que 1 em cada 4 mulheres brasileiras sente dor no sexo — e a maioria nunca falou sobre isso com o ginecologista, com o parceiro ou com ninguém.
Os três tipos mais comuns são a dispareunia — dor na penetração, superficial ou profunda — o vaginismo — contração involuntária dos músculos que dificulta ou impossibilita a penetração — e a vulvodínia — dor crônica na região vulvar sem causa identificável. Todas têm tratamento. Nenhuma precisa ser tolerada.
O desejo que foi embora
O desejo sexual hipoativo foi o problema sexual mais prevalente identificado em estudo populacional com mulheres brasileiras de meia-idade, afetando aproximadamente 60% delas — seguido pela disfunção da excitação e do orgasmo.
Um registro com 1.574 pacientes mostrou que 67,5% das mulheres estavam frequentemente ou sempre angustiadas pela falta de desejo sexual — e menos da metade procurou cuidados ou assistência profissional.
Por quê não buscaram ajuda?
Entre os motivos estavam a falsa noção de que a diminuição do desejo sexual é uma parte inevitável do envelhecimento e o pressuposto de que não existe nenhum tratamento para as disfunções sexuais femininas.
Existe tratamento. E não é inevitável.
O ressecamento invisível
88% das mulheres brasileiras têm algum grau de desconhecimento sobre o ressecamento vaginal, segundo pesquisa do IBOPE encomendada pelo laboratório Sanofi.
40% das mulheres que já vivenciaram o ressecamento não procuraram o médico — por acharem que era normal e, portanto, sem solução.
86% afirmaram que o ginecologista nunca tocou no assunto espontaneamente nas consultas de rotina.
O ressecamento vaginal não afeta apenas mulheres na menopausa. Anticoncepcionais, amamentação, estresse intenso e alguns medicamentos de uso comum são causas frequentes em mulheres jovens — e que raramente são associadas ao sintoma pela própria mulher.
O orgasmo que não vem
Quase 40% das pessoas entrevistadas em pesquisa nacional da MindMiners afirmaram que já fingiram orgasmo. Entre as mulheres, esse número sobe para 54%. Entre os homens, é de 23%.
Mais da metade das mulheres brasileiras já fingiram prazer que não sentiram. Em silêncio. Por não saber como pedir o que precisavam. Por vergonha. Por não entender o próprio corpo.
A Febrasgo aponta que estudos mostram que o uso regular de vibradores e sugadores de clitóris melhora significativamente todos os domínios da função sexual: desejo, excitação, lubrificação e orgasmo.
Em mulheres na pós-menopausa, exercícios com esses dispositivos de duas a três vezes por semana, por poucos minutos, já promoveram melhorias clínicas mensuráveis.
O autoconhecimento não é opcional na saúde sexual feminina. É estrutural.
O que os números dizem sobre o tabu
O Brasil que ainda não fala de sexo
50% dos brasileiros acreditam que o Brasil é um país conservador quando o assunto é sexo, segundo pesquisa da MindMiners com 2 mil participantes de todas as regiões do país.
47% afirmaram ter vergonha de assistir a uma cena sensual de filme ou série perto de familiares ou amigos.
17% afirmaram que não há conforto para falar sobre sexo com absolutamente ninguém.
Esse silêncio tem consequências diretas na saúde: 38% dos entrevistados não possuem o hábito de ir ao médico para checar aspectos da saúde sexual e 46% não utilizam nenhum método para prevenção de ISTs.
Quem foi responsável pela educação sexual dessas mulheres?
A pesquisa revelou que as primeiras orientações sobre sexualidade vieram de: amigos (30%), escola (30%), familiares (27%) e internet (26%). Apenas 9% receberam orientação de médicos.
Ou seja: a maioria das mulheres brasileiras aprendeu sobre seu próprio corpo e sexualidade com amigos e escola — não com profissionais de saúde. E o que aprendeu com a internet é, em muitos casos, desinformação.
A saúde feminina que a ciência ainda negligencia
Segundo a ginecologista e diretora de Defesa e Valorização Profissional da Febrasgo, Dra. Lia Cruz da Costa Damásio: "Doenças exclusivas ou predominantemente femininas, como endometriose e ovários policísticos, recebem menos investimento e há menor número de ensaios clínicos, além de atraso na incorporação de tecnologias e tratamentos."
As mulheres brasileiras acumulam maior carga de doenças crônicas, dores persistentes e sofrimento mental — vivem mais tempo, mas frequentemente com limitações físicas, emocionais e sociais que poderiam ser prevenidas.
Viver mais não é o mesmo que viver bem. E a saúde íntima é parte indissociável da qualidade de vida — não um detalhe secundário.
O que os números dizem sobre o relacionamento
Satisfação sexual: o que as brasileiras realmente sentem
70% dos brasileiros consideram o sexo importante para a vida. Mas apenas 59% se dizem satisfeitos com a sua vida sexual.
Existe uma lacuna de 11 pontos percentuais entre o que as pessoas consideram importante e o que estão de fato vivenciando. Quase 4 em cada 10 brasileiros estão insatisfeitos com a própria vida sexual— e a maioria nunca buscou nenhuma forma de mudar isso.
Mais da metade considera que a saúde mental impacta diretamente no desejo sexual — com ansiedade, estresse e depressão sendo as condições mais citadas.
O Brasil lidera o ranking mundial de ansiedade, segundo a OMS. E ansiedade mata o desejo antes mesmo de qualquer questão física. Não é coincidência que a insatisfação sexual e a saúde mental caminhem juntas nos dados.
O que muda quando existe informação
A Febrasgo alerta que, na falta de abertura para as mulheres falarem com seus ginecologistas sobre suas dificuldades sexuais, as redes sociais se tornam a principal fonte — e nelas circulam informações sem embasamento científico que criam expectativas irreais e aumentam a angústia das mulheres.
A solução não é mais silêncio. É mais informação de qualidade, mais abertura com profissionais de saúde e mais espaço para que as mulheres reconheçam o que sentem sem vergonha.
Por que a Senvyx Intimate criou esta página
Porque os dados existem — mas estão espalhados em relatórios científicos, publicações médicas e pesquisas que a maioria das mulheres nunca vai acessar.
Porque o silêncio em volta da saúde íntima feminina não é acidente. É consequência de séculos de invisibilização de um corpo que a ciência estudou menos, que a medicina ouviu menos e que a sociedade ensinou a calar.
E porque acreditamos que informação é o primeiro ato de cuidado.
Quando você sabe que 23% das mulheres sentem dor durante o sexo, você para de achar que é fraqueza sua. Quando sabe que 54% já fingiram orgasmo, você para de achar que é a única. Quando sabe que o ressecamento tem tratamento, você para de tolerar o que não precisa tolerar.
A Senvyx Intimate existe para conectar mulheres ao próprio sentir — com liberdade, respeito e informação real.
Leia também:
→ Anorgasmia: Quando o orgasmo não vem - e o que isso realmente significa
→ Disfunção sexual feminina - o que é, quais os tipos e por que 40% das brasileiras têm
→ Perdi minha lubrificação do nada: o que está acontecendo com o meu corpo?
→ Dor durante o sexo: o que seu corpo está tentando dizer (e quando isso não é normal)
Fontes desta página
Febrasgo — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia: febrasgo.org.br
Pesquisa MindMiners sobre Sexualidade Brasileira — publicada pela CNN Brasil, abril de 2023
Revista Problemas Brasileiros— "Ser Mulher em 2026", edição #491, março de 2026
Datafolha— Expectativa da Mulher Brasileira sobre sua Vida Sexual e Reprodutiva
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)— Atlas da Violência 2025
Organização Mundial da Saúde - (OMS)
Esta página é atualizada periodicamente com novos dados e pesquisas. Última atualização: abril de 2026.
A Senvyx Intimate está construindo uma curadoria de produtos e conteúdos desenvolvidos para a saúde íntima e o prazer feminino — com embasamento científico, discrição e respeito pelo seu tempo e pelo seu corpo.
Explorar Senvyx Intimate →